sexta-feira, 9 de dezembro de 2011



CULTURA OU CRUELDADE?

“Antegozando a ensangüentada presa,
Rodeado pelas moscas repugnantes,
Para comer meus próprios semelhantes
Eis-me sentado à mesa!
Como porções de carne morta... Ai!Como
Os que, como eu, têm carne, como este assomo
Que a espécie humana em comer carne tem!...”
Augusto dos Anjos

Assistindo uma reportagem especial sobre os maus tratos aos animais, fiquei perplexo com tamanha falta de respeito e crueldade que o ser humano pode chegar. E quando penso, temo, pois nós que possuímos raciocínio e inteligência, agimos de forma “irracional”?  Não concordarei com irracionalidade nesse aspecto, pois os animais que não “refletem” como o Homem são mais “conscientes” que a Humanidade. Nessa reportagem mostrava um jovem de dezessete anos ateou fogo na sua cadela rotwailler porque estava “dominado” pela droga. 





A mãe ligou para a polícia. A sociedade protetora dos animais foi acionada. Retiraram a cadela que agora se encontra em tratamento. Outro caso foi do de um homem que arrastou seu cão – preso a uma corda – por uns vinte quilômetros. 





O cachorro foi levado às veterinárias que tentaram – sem sucesso – salvá-lo. Uma pata foi amputada. Ele não resistiu e acabou morrendo.

Outra parte da reportagem mostrou as rinhas de galos. As aves mutiladas, cegas, sangrando, desfalecidas – tudo para “divertir” um bando de idiotas. Mostraram hormônios  - bombas - que aplicavam nas aves para deixá-las mais agressivas; giletes e outros objetos cortantes nos esporões.



 Outra coisa também que deve ser lembrada são as touradas na Espanha. Essa pauta não entrou na reportagem, mas relembro aqui a crueldade que fazem com o touro.Além de apertarem seus testículos - para deixá-lo mais agressivo -, ainda tocam fogo nos chifres, perfuram o animal até o mesmo cair agonizante.







Houve outro lugar onde uma mulher possuía uns vinte cachorros. No quintal não tina um cocô.  Mostrando que estavam desnutridos, doentes – muitos com sarna, micose, verminose – temerosos. É uma cena deplorável. O pior ainda foi à segunda parte onde mostrou alguns hábitos de alguns países. Japão e China foram o que bateu o recorde. Primeiro no Japão - assim como na China -, têm uma tradição de comerem de barbatanas de tubarão, carne de baleia e cavalo. A forma como eles fazem para pescar tubarões é deprimente. Lançam o arpão no oceano, assim que fisgam os tubarões, puxam para o barco, cortam as barbatanas e uma parte da cauda, e jogam-no mar novamente. O quilo sai a dois mil e quinhentos reais – pois aja tubarão – da iguaria. E lá é cultural isso.





 Quanto à carne de cavalo, vem dos tempos dos samurais, quando eles utilizavam os cavalos como transporte e quando o animal não aguentavam mais, eles sacrificavam-no e comiam sua carne. 




As baleias dispensam comentários. Então os reportes perguntaram para alguns japoneses o que eles achavam da forma como eram adquiridos as iguarias. Muitos ficaram meio assim, mas disseram que não vão parar de comê-las por essa causa. E outros ficaram preocupados com os restaurantes – que hoje são bem poucos que ainda servem carne de baleia – fecharem. O ser humano é muito egoísta e egocêntrico. 



Assim como os atuns azuis, tartarugas marinhas, enfim. Agora na China é muito pior. Quando me lembro sinto uma dor no peito. É comum comeram lá iguarias como morcego-raposa, cobra, ratos e cachorros. Mostraram um vídeo com cachorros. Confinados em gaiolas super pequenas, sem água, comida e cuidados devidos. Um cachorro estava desesperado para beber água. Preso, com um balde do lado de fora, ele tentava – com a pata – alcançá-lo para bebê-la, porém sem sucesso. Outra filmagem mostrava como era feito a venda dos animais. Um chinês pegava o cachorro, pelas orelhas e levantava-o. Depois, jogou-o numa gaiola super pequena – onde já tinha outros animais lá –, e o cão bateu as colunas. É muita crueldade. Os cachorros eram variados, husks siberianos, samoiedas, vira-latas e outros mais.



 
Infelizmente o Homem é muito cruel. Lembro de um livro de receitas indianas “Gosto Superior” que estava dando uma olhada, quando deparei-me com uma frase muita verdadeira: “Muitos passam fome, porque outros pegam mais comida do que podem comer. Veja os animais comem apenas o necessário, por isso nunca falta para os outros que virão.” Muito relevante ela. Claro que tanto, boi, como galinha, são animais também. Não como carne; sou vegetariano. Não creio que Deus criou os animais para servir-nos como alimentos. Em Gênesis 1: 29 “Eis que vos tenho dado toda a erva que dê semente, que está sobre a face de toda a terra; e toda a árvore, em que há fruto que dê semente, ser-vos-á para mantimento.” Ele foi bem claro e específico. Fui certa feita, no sítio do avô do meu sobrinho em Tietê. 




Quando chegamos lá, eles resolveram matar um boi. Primeiro um marretada na cabeça para o animal desmaiar; depois cortaram os testículos do boi – nessa hora ele contorceu-se de dor, pois estava vivo –, depois um corte no pescoço para o bicho sangrar, colocaram-no uma espécie de gancho nas patas traseiras, levantaram-no e foram escalpelando-o. Tiraram-lhe o couro depois fizeram os cortes das carnes. Quando terminaram as carnes ainda tremiam devido à descarga de adrenalina que o animal deve ter liberado em meio à tão grande carnificina. Já vi matarem porco e galinha também, então, todos deprimentes. Não estou incentivando ninguém ao vegetarianismo, mas quero mostrar que devemos ter um mínimo de respeito com as outras vidas do planeta.

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sexta-feira, 26 de agosto de 2011



CORPOS DE VIDROS ALMAS DE CRISTAIS

“Pessoas são taças de cristais
em bandejas de vidros”
Pr. Eufrásio Pereira da Silva

Lidar com o ser humano é uma das tarefas mais difíceis. Que diga os psicólogos. A vida, a cada dia, vai se tornando muito fria e formal. Nos dias atuais, apesar de tanta luta para evitar certos preconceitos, mostrar-se “fraco” em alguns momentos, é demonstra-se perdedor. Você tem que ser vencedor. Aos trinta anos, estar casado, formado, com família, estabilizado financeiramente... Diríamos que essa batalha é como “O Aprendiz”, precisa ser perfeito, um gênio, se não “está demitido”.
Mas, quase sempre, ninguém percebe que apesar dessas cobranças, as pessoas possuem sentimentos. Nem todos ouvem uma palavra da mesma forma. O jeito que eu vejo um quadro, não é o mesmo que o seu olhar. Os versos que escrevo, você não pode fazer. A música que você cria, eu não poderia criar. Pois cada um tem a sua essência. Eu não encaro a lua como você o sol. Portanto, CUIDADO COM AS PALVRAS! São poderosas. Se assim não fora, como diz na Bíblia, o mundo não teria sido criado. Qual é a arma do advogado? O instrumento do professor? As ferramentas dos escritores?
Tenho observado que as pessoas mais ínfimas e idiotas gostam de humilhar os outros. Se eu possuo um conhecimento maior que uma pessoa mais humilde, pra quê falar de Shakespeare, Voltaire, Dostoievski? Se o povo curte àquelas “músicas” mais simples, não tem como discutir Tom Jobim com elas. Uma vez, resolvi mostrar para minha tia a música “Águas de março” ela me disse que não gostava dela, eu perguntei, porque, “eu não entendo nada...”
Tenho observado no Recanto muitas celeumas, às vezes, por coisa que nem vale à pena. O ser humano é por natureza mal e arrogante. Quem disser que é bom está mentindo, pois isso é vaidade. “Só quem te conhece – nos conhece – é o próximo que está junto de ti”. Num curso de psicologia ouvi essa frase e nunca mais esqueci.


Comece a se analisar e ver como você trata as pessoas. Como as vê. Não é fácil admitir seus defeitos. Porém descoberto, um passo terá dado para seu crescimento, nesse caminho curto que é nossa jornada nessa Terra. Se aqui estamos agora, é para algum propósito.
Fico triste quando vejo meus amigos da escrita que poderia estar usando as palavras para alegrar, tornar mais leve a vida das pessoas, refletirem, chorar... Fazer mal uso da capacidade intelectual e para agredir os colegas. Vindo de nós é triste, sim.
Não vou citar nomes, mas já computei quase dez.
Vamos nos reunir amigos, e festejar a liberdade de poder cantar um cântico de amor e de carinho para quem está precisando. Não façamos das letras e palavras ARMAS e VENENOS para matar os outros e envenenarmos nós mesmos.
Não podemos esquecer que apesar de parecemos invencíveis, fortes e até mesmo duros, mas não passamos de COPOS DE VIDROS e ALMAS DE CRISTAIS. Uns mais resistentes; outros não. Mas o pior é quando parte-se a alma. É difícil. Fazer a remoagem e remodelamento.
Não digo com isso que não haja pessoas pedras, ferros e outros materiais, mais as mais evoluídas são as transparentes, que conseguem se mostrar sem medo. Críticas haverá sempre. A inveja, como a bondade sempre lutará pelo pódio. Basta nós sabermos quem subirá no pódio de nossos corações.

terça-feira, 2 de agosto de 2011

A GALINHA DA VIZINHA BRIGOU COM O CACHORRO DO VIZINHO


No domingo à noite vi uma reportagem no Fantástico onde uma deputada  estadual Luiza Maia (PT)  criou uma lei que proibia as músicas de duplo sentindo no estado da Bahia. Seu argumento era que essas canções denigrem as mulheres. A decisão – aparentemente com boa intenção – fere a liberdade de expressão. A maioria das músicas baianas tem mesmo uma dubiedade, porém não vejo motivo para tal pedido. O que dizer então dos funks? Essas letras sim são totalmente aculturais e agridem a moral das pessoas – pelo abuso das palavras de baixo calão; além emburrecer e desencaminhar. – A juventude está perdendo a noção do que é musica de qualidade. Um grupo que fez um estrondoso sucesso foi o grupo “Mamonas Assassinas”. Eram irreverentes, letras com duplo sentido e até mesmo algumas sentenças gramaticais erradas; porém eles sabiam o que estavam fazendo e as músicas tinham qualidades. Era apenas diversão. Outro grupo também que usa a duplicidade  é o Ultraje a Rigor. Porém há denúncia, bom-humor e ironia – aí e que está à grande diferença. Mas discutir gostos musicais é complicado demais. O que devia acontecer era uma educação musical. Mostrar-lhes os cantores que sofreram com a ditadura.  Censurar? Melhor é ficar com a música de Caetano Veloso. “É proibido proibir.” 

O1/O8/2O11